quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Saber amar

 

SABER AMAR


Esperanças renovadas

Feridas rasgadas

Na alma expurgadas

Floresce o tempo amar

Pétalas de sentimento a transbordar

Palavras ternas subestimadas

Tempo de um tempo de doar

De escutar e de sonhar

Para juntos podermos caminhar

No brilho das estrelas e do luar

Um tempo de fantasiar

De olhar e de louvar

Um tempo que se aprende

A sorrir e escutar

Poesia que se desprende

E se repete indefinidamente

O murmúrio suave 

De um coração que sente

No florir e desabrochar

No amar diferente

Profundamente

Duas palavras somente

Que rimam nos silêncios

De uma paixão ardente

"Saber amar" 



Daniel Braga

Maio de 2020



 

Sussurros

 

SUSSURROS


Noites frias e geladas

O sussurrar leve

das folhas...

Pássaros pululam

nas velhas ramadas.

Nas árvores despojadas e nuas

Folhas caídas 

em lamúrias murmuradas

Colorindo passeios, ruas

e harmoniosas calçadas

Memórias de realidades cruas

Sopram ventos

de ternuras enlevadas

Ternos momentos

de emoções redobradas

Sinais de silêncios

de cores enfatizadas

Sussurros ao vento

na Natureza adormecida.


Daniel Braga
maio de 2020



 

O vento que embala a saudade

 

O VENTO QUE EMBALA A SAUDADE

Natureza de cor vária

Olhar doce e sofrido

O vento que sopra e sibila

A brisa que corre e suspira

Como se a saudade

Fosse uma leve miragem...

O silêncio que soa e que dói

Na noite escura incómoda e triste

As mágoas que a alma corrói

É o vento que corre

Suavemente...

Um ruído de motor

Que se ouve ensurdecedor!

Estremece o pensamento

Um olhar distante

No turbilhão de sentimentos 

Mesclados de uma dor que se esvai

Uma dor que magoa e que grita

Reflexo de uma saudade

que entranha e que dói...

Será o vento que sopra?

É, é o vento!
...
O vento que embala a saudade.


Daniel Braga
2020



Timor-saudade

 

TIMOR - SAUDADE

Em jeito de poesia

Falo-vos do meu Timor 

Terra de fantasia

E de gente com amor 


Foi terra ocupada

Assolada por mil tormentos

Hoje já libertada

Na memória, os padecimentos

 

Momentos de luta e glória

De sonhos e valentia

Heróis que entram na História

Com orgulho e galhardia

 

Memórias de tempos felizes

Na Pátria que me viu nascido

Saudades de cujas raízes

Estarei sempre agradecido


Daniel Braga

maio 2020

(imagem retirada da net)



Gente de Timor

 

GENTE DE TIMOR 

Sorriso presente

Silêncio cúmplice

Dor que se propaga

Mas que nunca se apaga

Silêncio na dor

Ou dor silenciosa?

Provavelmente amor

De gente ociosa

De sofrimento indolor

Mas gente feliz...

É gente de Timor


Daniel Braga

(Poema dedicado à luta heroica de um povo, nomeadamente, às mulheres e crianças timorenses)



(fotografia de Hilarius Bistok)

Em abril acontecia

 

EM ABRIL ACONTECIA...

 

Em tempos de pandemia
Vale a pena recordar
Em abril acontecia
Algo que nos ia alegrar

 

De madrugada cantou-se

A Grândola Vila Morena

Em vez de armas, de cravos armou-se
A revolução em Liberdade plena

 

Os militares estavam na rua

Todos de cravos na mão
E o povo amordaçado na realidade crua

Exultou de alegria e de paixão

 

Estamos livres, gritavam a contento

Em uníssono e a uma só voz

Palavras gritadas ao vento

Era o povo, éramos todos nós

 

Daniel Braga, Espírito de Abril

abril 2020


(imagem retirada da net)




Quarentena em abril

 

QUARENTENA EM ABRIL

Em tempos de quarentena

Numa nova ordem esperada

Palavras surgem no levar da pena

De forma célere e atabalhoada

 

São dias de muita inquietação

Estes que todos vivemos

Mas que venha a comemoração

E a Grândola Vila Morena cantemos

 

Abril de cravos na espingarda

Uma data que o Povo recordou

A vinte e cinco a Pátria libertada

Da opressão em que o regime a amordaçou


Daniel Braga

abril 2020


(imagem retirada da net)



Tempos de libertação

 

TEMPO DE LIBERTAÇÃO

 

Num tempo sem tempo

Em tempo de dor e solidão

O tempo é remédio são

Quando o tempo é contratempo

 

Para que o tempo seja construção

E não apenas lembrança furacão

Das memórias de um velho tempo

Levado nas brumas da alienação

 

Eram tempos onde vigorava a opressão

Vozes muitas silenciadas na razão

Tempos tristes esses de maldição

Onde reinava a mordaça e a perseguição

 

Mas muitos outros juraram dizer não

À paz podre que reinava na Nação

E de madrugada chegaram os cravos e a revolução

No tempo certo da nossa libertação


Daniel Braga
abril 2020



Os meus vídeos de poesia (meus e de amigos poetas)

 Um poema de António Ramos Rosa



Quarentena em abril _Daniel Braga



Nestas minhas palavras
_Maria Mamede


Um cravo na lapela

 

UM CRAVO NA LAPELA


Um cravo colocado na lapela

Um despertar de ânsias clamando

Abril, abril vem à janela

É a alegria do povo festejando...


Liberdade! Liberdade! Liberdade!...


Entre os gritos da multidão

Ecoa uma voz rouca de emoção

Somos filhos da revolução

Trazemos cravos na mão


Nos canos das espingardas

Andam cravos em vez de balas

Cravos de esperanças renovadas

De liberdades antes amordaçadas

 

Daniel Braga
maio 2019



 

Corro

CORRO Corro... Corro desenfreado Medo? Desejo? Fuga? Não! Amores desatinados Sentimento ousado Anseios perpetuados De uma loucura vã Corr...